segunda-feira, 27 de maio de 2013

Stosstrupps - As unidades de Assalto Alemãs da Primeira Guerra Mundial




A Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, foi um conflito que os Historiadores chamam de "O mais evitável da História." Oriunda de antigas alianças de uma Europa devastada pelas guerras do século XIX, a Grande Guerra, como também ficou conhecida, tinha como características o uso de antigas doutrinas militares face aos modernos armamentos da Revolução Industrial. Esta estranha mistura resultou em um massacre de proporções gigantescas, com imenso desperdício de vidas em batalhas táticamente erradas e mal-conduzidas. A imagem mais forte da WW I é a de ser uma Guerra de Trincheiras, em que as Nações envolvidas não conseguiam romper as linhas de defesa do inimigo, seja por incompetência doutrinária tática, ou seja por falta de recursos materiais. Foi também, o Conflito do debut intenso da metralhadora, do gás venenoso, do avião, da artilharia e do tanque de guerra .



Dois ícones da WWI - avião e metralhadora


Artilharia de Campo


Preparando fogo de barragem- Artilharia Francesa


Tanque Inglês Mark I Male


Tanques Alemães- A7V


 

Desde o seu início, as doutrinas militares mais comuns eram o ataque e a defesa em massa, com imensos exércitos avançando pelos campos em linhas, como as Cargas de Infantaria da Guerra Prussiana, com os infantes alinhados e em passo lento, desdobrando-se sobre as linhas inimigas. Esta tática se provou mortífera, perante as metralhadoras, que dizimavam as linhas, gerando o impasse do Conflito.

Metralhadores com máscara de gás


       As forças antagônicas se entrincheiravam, cavando complexas e organizadas redes de trincheiras, onde os soldados viviam, lutavam e morriam, sem progresso tático nenhum.


Trincheira britânica


Esquema de trincheiras...

Este impasse se desdobrou por toda a Guerra, mas alguns táticos brilhantes se esforçavam para desenvolver saídas para este absurdo impasse. Uma das saídas eram as táticas de infiltração.

         
Uma nova doutrina:



As táticas de infiltração podem ser definidas como o uso de pequenas forças de infantaria com equipamento leve, atacando áreas de retaguarda inimiga após contornar os pontos fortes da linha defensiva inimiga. Estes pontos fortes serão atacados na seqüência, por tropas aliadas equipadas com armamento mais pesado. Estes primeiros conceitos foram idealizados pelo General Oskar von Hutier, comandante do 18º Exercito Imperial Alemão, no fronte leste. As unidades que eram utilizadas nesta tática receberam o nome de Stosstrupps, ou seja, unidades de assalto.


General Oskar von Hutier (1857-1934)

Primeiros combates:


Quando o 18º Exército recebeu a dura tarefa de atacar a cidade de Riga, a Rainha do Báltico, em fins de 1917, o General von Hutier tinha um sério problema a resolver.



Riga (hoje)




Suas tropas eram numericamente inferiores aos defensores, fortemente entrincheirados em uma série de posições, e já haviam demonstrado sua determinação em outros embates. Portanto, um ataque utilizando as táticas até então utilizadas, só poderia representar uma coisa – o fracasso. Esta mesma guarnição já havia frustrado os planos alemães em 1916 de alcançar Leningrado.


Mapa de Riga


           Diante deste problema Hutier utilizou uma nova tática – a infiltração. Pequenos grupos auto-suficientes sondavam as defesas e abriam caminho, infiltrando-se no local mais fraco das linhas inimigas, espalhando-se na retaguarda destas mesmas linhas. Mas para tal emprego, as táticas de artilharia até então utilizadas eram ineficazes. O ataque a ser efetuado por três divisões numa frente de 900 metros, deveria cruzar o rio Dvina, com 300 metros de largura no ponto de ataque. A travessia seria feita inicialmente por barcos, com pontes flutuantes sendo instaladas depois. Para organizar e preparar o apoio de artilharia, Hutier contava com o tenente-coronel artilheiro Bruchmüller


Georg Bruchmuller (1863-1948)
 

          Georg Bruchmuller, oficial reservista da artilharia que foi reconvocado com o advento da Guerra, revelou-se um dos mais brilhantes artilheiros de todos os tempos, com uma grande capacidade  de calcular com precisão que castigo seria preciso aplicar para fazer determinado alvo capitular ou ceder o suficiente para ser tomado. Era um artilheiro heterodoxo, que gostava de variar sua abordagem dependendo do alvo e, sobretudo, não concordava com os métodos e doutrinas empregados pela artilharia durante a Grande Guerra. Empregava combinações diversas de munição e gás de formas totalmente contrárias aos livros e manuais da época. Defensor dos ataques de artilharia rápidos e precisos, foi um dos precursores do uso científico da Artilharia. 
          Para o ataque a Riga, aproveitou-se da extensa arborização das margens ocupadas pelo 18º Exército, ocultando 750 canhões e 550 minenwerfers (morteiros). Esta força era dividida em dois grupos: O IKA (Infantriebekaempfungs-artillerie - artilharia de apoio a infantaria), para apoio à infantaria, com munição na proporção de quatro quintos de alto explosivo e um quinto de gás "Cruz Azul" (difenilaminoclorarsina) e "Cruz Verde" (fosgênio), e o AKA (Artillerie bekaempfungs artillerie – artilharia para contra-bateria), responsável pelo fogo de contra-bateria das áreas de Q.G. e artilharia russas. O AKA utilizava uma proporção de munição de um quarto de alto explosivo para três quartos de gás.


Minenwerfer em posição


          Às 04h00, os canhões iniciaram seu ataque, com três baterias de 15 cm sendo empregadas especialmente nos postos de comando, pontos de comunicação, postos de observação e centros nervosos semelhantes. Às 06h00, o grupo AKA prosseguiu com fogo de contra-bateria, enquanto o grupo IKA se concentrava no ataque às posições de infantaria que defendiam o rio. Este prosseguiu até as 09h10, deslocando-se pela área, mudando de explosivo para gás e de gás para explosivo. Às 09h00 o grupo AKA juntou-se ao ataque, deixando cada bateria AKA um canhão para "alimentar" as nuvens de gás que envolviam as baterias russas, enquanto os outros canhões intensificavam o fogo contra a infantaria.


Avançando sob gás...


          Às 09h10, todos as canhões mudaram para uma barragem rolante que se demorou sobre a linha avançada russa até que os barcos de assalto chegaram à outra margem do rio, deslocando-se então para a zona defensiva. Barragem rolante é o termo empregado na Artilharia para descrever uma barragem que vai "martelando" as posições inimigas em linha por um determinado período. Este período pode ser pré-determinado ou comandado por rádio. Quando a linha inimiga foi suficientemente "batida", os artilheiros regulam seus dispositivos de mira para um avanço de 100ms ou 200ms ou seja qual for a distãncia e martelam esta nova distância...A infantaria vem atrás deste "tapete de obuses", avançando sobre os inimigos antes que eles possam se re-estabelecer em suas linhas defensivas. Isto é Barragem Rolante. Conforme Bruchmuller ia avançando as linhas de artilharia, os homens de Hutier seguiam atrás, não nas famosas linhas longas, mas em pequenos grupos, sondando, desviando, infiltrando...

A operação foi um sucesso e confirmou as teorias de Bruchmüller e Hutier. Os alemães sofreram poucas baixas, na maioria sapadores trabalhando na instalação das pontes flutuantes. Em 24 horas os alemães controlavam Riga. Foi o primeiro grande sucesso das táticas de infiltração
.
Stosstrupps em ação...


Doutrina Tática:


          As Infiltrações com pequenas unidades passaram a ser conhecidas como Táticas de Hutier, que tinham quatro regras simples:
1º- Bombardeamento curto de artilharia: Fogo de apoio com uso de granadas de alto explosivo e gás venenoso, concentrando-se em neutralizar as linhas de frente inimigas, mas não destruí-las.

2º - Barragem Rolante: As Stosstrupps atacam precedidas pela Barragem Rolante, buscando infiltração nas linhas defensivas inimigas, explorando os pontos fracos previamente identificados. As Stosstrupps deveriam evitar o combate pesado o máximo possível. Seu objetivo primário é tentar capturar os QGs e os pontos de artilharia.

3º Apoio por Infantaria Regular: Depois que as Stosstrupps fizessem seu trabalho, unidades do exercito pesadamente equipados com metralhadoras, morteiros e lança-chamas deveriam atacar ao longo da linha de penetração e anular qualquer ponto forte deixado pelos stosstruppen. Quando a artilharia de campanha (que avança junto com a Infantaria Regular) estivesse reposicionada, os oficiais deveriam controlar diretamente os disparos necessários para acelerar a tomada dos pontos-fortes.

4º Limpeza: Como último estágio do assalto, a Infantaria Regular deve anular qualquer resistência aliada que ainda restar.
Outras batalhas:

          As táticas de Hutier foram novamente empregadas em outubro de 1917 na Batalha de Caporetto contra o Exército Italiano. No fronte de Isonzo, os italianos detinha supremacia numérica (41 divisões contra 35).


Mapa da Batalha de Caporetto


          O ataque ficou sobre o comando do General Otto von Below e seu 14º Exército, com nove divisões austríacas e seis alemãs (fornecidas pelo 18º Exército – Hutier). O comandante local italiano do 2º Exército, Capelo, tinha uma postura agressiva, preparando sua linha defensiva e reunindo o grosso de suas tropas para um ataque ao flanco sul de von Below, a leste de Gorizia.


Otto von Below (1857-1944)


          O ataque iniciou, as 02h00, utilizando as táticas de Hutier e ao final do primeiro dia, von Below e suas stosstrupps haviam conseguido uma penetração de 25 km. Em sua segunda arremetida von Below foi acompanhado pelo 5º Exército austro-húngaro de Boroevic, até que em 10 de novembro de 1917, as forças combinadas austro-húngaras e alemãs chegaram a aproximadamente 30 km de Veneza, perdendo o ataque o ímpeto em função das longas linhas de abastecimento.

          Mas foi obtida uma vitória espetacular sobre as forças italianas, que perderam mais de 300.000 soldados (90% feitos prisioneiros ou desertando). Nesta batalha, um obscuro comandante de batalhão foi condecorado: Seu nome era Erwin Rommel, futuro gênio da tática do exercito alemão.
       Em função destas vitórias originadas de sua nova tática Hutier recebeu a Pour le Mérite. No mesmo ano Bruchmüller também seria agraciado com a Pour le Mérite. Transferido para o Frente Ocidental, Bruchmüller continuou mostrando o mesmo sucesso, sendo promovido a Coronel em março de 1918.


 Condecoração Pour le Mérite (Blue Max)


          Com o fim das hostilidades no fronte leste, Hutier e seu 18º exército, bem como suas novas táticas foram empregados no Frente Ocidental, na ofensiva de primavera de Ludendorff. A ofensiva de março de 1918, nomeada Operação Michael, foi efetuada pelos 17º Exército (Below) na ala direita, 2º Exército (Marwitz), ao centro, e o 18º Exército (Hutier), na ala esquerda, ao todo 47 divisões de assalto, sendo a maior parte dessa força pertencente ao 18º de Hutier.


Georg von der Marwitz (1856-1929)


           Junto com ele estava seu especialista em artilharia, Bruchmüller, que preparou seu plano de ataque com mais de 6.000 canhões. No dia 21 de março, como em Riga e Caporetto, os canhões troaram desde as 04h43 até as 09h35, com cinco minutos de intensificação. Atrás da barragem rolante, as 09h40 as stosstrupps avançaram, protegidas por um nevoeiro parcial, que persistiria até o dia seguinte, conseguindo penetrar as linha aliadas. As baixas aliadas só não foram maiores pela tendência dos comandantes de não fazerem sacrifícios inúteis na zona de batalha, permitindo o recuo das tropas para terrenos menos vulneráveis. A ofensiva, ao ser encerrada pelo General Chefe Erich Ludendorff, havia dado aos alemães um retumbante sucesso inicial, graças as táticas de Hutier e suas stosstrupps


Erich Ludendorff (1865-1937)


          Como resultado, houve uma penetração de 60 km nas linhas inimigas e mais de 50.000 prisioneiros. Esta operação elevou o prestigio de Hutier e lhe rendeu as folhas de carvalho para sua Pour le Mérite. Mas, infelizmente, Ludendorff não soube explorar os sucessos iniciais, esvaziando a ofensiva.


Infiltração nas linhas francesas...


          Em abril de 1918, a ofensiva nomeada Georgette (anteriormente chamada George), com a utilização de 26 divisões (mas apenas 12 de assalto) é desencadeado, com Bruchmüller comandando novamente os canhões. No dia 9 de abril as 03h00 começa o ataque inicial da artilharia, e após cinco horas é iniciado o assalto. Na noite de 9 de abril os alemães já haviam conseguido com suas stosstrupps uma penetração de 10 km, numa frente de 16 km. Mas novamente Ludendorff não reforçou os sucessos iniciais das suas tropas de assalto, esvaziando novamente a ofensiva, até sua paralisação em fins de abril. Em maio é iniciada uma ofensiva na frente do 6º Exército Francês (Duchesne) com 41 divisões numa frente de 50 km efetuado pelo 7º Exército (Boehn), e no comando dos mais de 3.700 canhões, o incansável Bruchmüller.
          Pétain, o General francês, já havia criado um novo conceito de defesa flexível, mas Duchesne era seguidor das doutrinas de Foch, que havia emitido uma diretiva exortando o combate palmo a palmo do terreno.


Henri-Philippe Petain (1856-1951)


          Isso favoreceu muito as táticas empregadas pelas stosstrupps que conseguiram uma penetração de nada menos que 20 km no primeiro dia. As tropas avançadas de Duchesne, que continham a maior parte do seu exército, após serem abaladas pelo bombardeiro inicial, foram dizimadas onde estavam. Uma divisão britânica, a 8ª, foi reduzida a um efetivo de apenas 1.500 homens ao final do dia, quando então os alemães já haviam atravessado o rio Aisne. No dia 29 de maio os alemães e suas stosstrupps já haviam conseguido uma penetração de 50 km, mas Pétain entrou no jogo com suas novas táticas, e com duas novas divisões americanas, conseguiu esvaziar e finalmente paralisar a ofensiva alemã.

O Fim.
          Em junho, Ludendorff ordena um ataque pelo 18º Exército de Hutier no setor de Noyn-Montdidier, defendido pelo 3º Exército Francês (Humbert). Novamente, não se utilizaram de início as táticas de Pétain. Humbert era conservador e tentou defender obstinadamente sua linha de frente, atitude ideal para Hutier e suas stosstrupps que, com apenas 13 divisões, conseguiu uma penetração de mais de 11 km só no primeiro dia. Pétain novamente interveio, e com um contra-ataque comandado por Mangin, surpreendeu os alemães.

          A última tentativa de Ludendorff foi em Julho, na região do Marne, comandado por Boehn e seu 7º Exército. Esta Força esbarrou nas táticas de Pétain e, após breve sucesso inicial, o ataque foi paralisado também. Os aliados desenvolveram métodos defensivos para conter as stosstrupps.  Mesmo empregando as táticas de Hutier nas ofensivas de junho e julho, os métodos de defesa flexível e em profundidade dos aliados fizeram as stosstrupps falharem. E, mais importante, os aliados mostraram que já poderiam responder com contra-ataques e, portanto, brevemente estariam retomando a ofensiva.


Organização:

           As tropas de assalto eram compostas pelos mais jovens e mais aptos dos batalhões de infantaria existentes, reunidos em unidades especiais. Estas seriam utilizadas como lideres do ataque. As "unidades de batalha" que iriam logo atrás daquelas tropas consistiriam de infantaria pesadamente equipada com metralhadoras, morteiros de trincheira, sapadores e artilharia de campanha. Cabia-lhes a tarefa de resistir a contra-ataques e tomar pontos fortes. Elas tinham de acompanhar bem de perto as tropas de assalto e não deveriam deixar-se reter por muito tempo, pois sempre haveria mais tropas vindo atrás para lidar com as posições particularmente obstinadas. Toda a doutrina salientava que as tropas avançadas deveriam tomar para si a iniciativa. Em vez de adotarem o princípio aliado de deixar todas as decisões para um Q.G. de formação superior, divisão ou corpo de exército, na retaguarda, que não podia nunca estar atualizado sobre o quadro tático total, os comandantes subalternos na frente eram estimulados a tomar suas próprias decisões e agir de acordo com elas.


A Elite !

Equipamentos.
 

          As stosstrupps estavam equipadas de uma forma impar no exército, recebendo prioridade na reorganização feita pelo exercito após o fim da campanha russa.

Uniformes: Seus uniformes eram especialmente confeccionados de forma mais resistente, recebendo reforços de couro nos cotovelos e joelhos o que lhes facilitava rastejar
.

Uniforme Stosstrupp
Uniforme Stosstrupp
Uniforme Stosstrupp

Submetralhadoras: As stosstrupps estavam armadas com uma porcentagem maior de submetralhadoras por batalhão, a "Parabellum MP-18" com um cartucho de 9 mm.

 
Submetralhadora MP18 - 9mm

Fuzis: O armamento principal do stosstruppe era o Karabiner 98 Mauser. Também eram usadas versões modificadas do Gewehr 98 com velocidade de boca e alcance superior ao seu gêmeo da infantaria padrão.
Família 98K

Granadas: Cada stosstruppe era armado basicamente com umas doze granadas elas variavam muito, mais a granada padrão dessas tropas era a M1915 "Stielhandgranate" ou a M1916 "Eierhandgranate".
Stielhandgranate
Eierlhandgranate


Canhões: As stosstrupps receberam canhões especiais para demolição de pontos-fortes com tiros a queima-roupa entre vários houveram certos tipos que se destacaram; como o "Sturmkannone" que era um levíssimo canhão de 37mm desenhado pela Krupp, que foi a base da produção dos antitanque de 37mm da segunda guerra. E o 7,62 cm "Infanterie Geschütz" [canhão de infantaria] que eram peças modificadas das que os alemães capturaram dos russos ao termino da campanha oriental.

Outros equipamentos: Os stosstruppen, além do equipamento convencional, dispunham de outras armas que não eram distribuídas à infantaria regular. A primeira delas era o lança-chamas (Flammenwerferapparate) que era utilizado principalmente para demolição de pontos fortes e ninhos de metralhadora. Eles também utilizavam interessantes alicates de engenharia para cortar o arame farpado e houve casos de se usarem pontes moveis para que estas fossem montadas sobre as trincheiras para deixar o avanço da infantaria regular mais rápida. Havia também armas exóticas como bestas para ataques noturnos e um bizarro garrote para assaltos corpo-a-corpo. Este último só foi usado uma vez durante a batalha de Caporetto
.


Komrades...

Apoio aéreo.

          Desde 1916 os alemães enviavam seus caças periodicamente para atacar as linhas inimigas. Com as ofensivas contra os italianos na batalha de Caporetto e própria operação Michael, a força aérea alemã iniciou uma serie de raids sobre as linhas aliadas, atacando não só as linhas de trincheiras como as reservas que normalmente estavam desprotegidas, na retaguarda. Normalmente contra as reservas, os resultados eram excepcionais. Estes ataques causavam um numero elevadíssimo de baixas, graças à falta de cobertura aérea. Essa doutrina aérea de atacar as reservas foi revivida em maior escala em 1939, pelos Stukas.

          Já contra as linhas de trincheiras, os raids eram utilizados junto com os stosstruppen auxiliando seu avanço. Os aviões atacavam, principalmente, a artilharia e os ninhos de metralhadoras, mas também miravam as linhas defensivas com rajadas de metralhadora, destroçando a moral das tropas de defesa que se sentiam normalmente indefesas.

Final:
          Em 21 de março de 1918, o general Ludendorf lança a Kaiserschacht (Batalha do Kaiser) ou operação Michael. Com uso quase irrestrito dos stosstruppen, o assalto inicial teve um sucesso absoluto. Enfim, o impasse da guerra de trincheiras existente desde 1914 é quebrado. Depois da ofensiva inicial, os alemães romperam mais quatro vezes as linhas aliadas, causando terror entre os oficiais inimigos, mas a Alemanha já estava esgotada. Depois de quatro anos de bloqueio marítimo, havia falta de suprimentos entre as tropas de vanguarda, enfraquecendo seus já desgastados efetivos

O início de uma era ...

          Depois de derrotarem as linhas avançadas do exercito britânico, os alemães praticamente exauriram seus já escassos suprimentos. Então, com um contra-ataque, o general Petain conseguiu destruir o exercito de vanguarda alemão. Estas ofensivas esvaziaram os efetivos do exército Alemão. Os efetivos médios de um batalhão caíram de 807 homens para 602 em maio de 1918. E, para piorar a situação alemã, os americanos estavam chegando sempre em maior número, com tropas descansadas e prontas para atacar.

Conclusão:

 
As técnicas de assalto desenvolvidas por Hutier foram a base para a doutrina operacional do exercito alemão, inspirando Von Seeckt, Rundstedt e Guderian nos anos 30, sendo consequentemente a doutrina mãe da Blitzkrieg e por conseqüência, mãe da doutrina operacional da Guerra Moderna.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fotógrafo compra câmera e encontra imagens da Primeira Guerra


O canadense Chris A. Hughes comprou um modelo de 1914.Câmera pertencia a um soldado francês durante a Primeira Guerra.

Fotografia da Primeira Guerra encontrada pelo fotógrafo Chris A. Hughes (Foto: Chris A. Hughes)Fotografia da Primeira Guerra encontrada pelo fotógrafo Chris A. Hughes (Foto: Chris A. Hughes)

Ao comprar uma câmera fotográfica francesa Richard Verascope de 1914, o fotógrafo Chris A. Hughes encontrou no estojo dois pacotes de slides. Após um exame mais atento, ele descobriu que as fotos foram capturadas por um soldado francês durante a Primeira Guerra Mundial.
Todos os slides tinham "metadados" rabiscados neles, com datas e locais onde foram tiradas, e notas aleatórias escritas à mão pelo fotógrafo. Algumas fotografias mostram o cotidiano do soldado, enquanto outras são imagens de morte e destruição. O conjunto de imagens pode ser visto no site de Hughes.
As fotografias aparecem duplicadas devido a câmera utilizada, um modelo estereoscópico, que cria duas imagens da mesma cena, e quando as imagens são vistas por um visualizador adequado, dão a sensação de que a foto é tridimensional.
Fotografias 'duplas' foram feitas por câmera francesa de 1914 (Foto: Chris A. Hughes)Fotografias 'duplas' foram feitas por câmera francesa de 1914 (Foto: Chris A. Hughes)

Uma das fotografias mostram soldados em uma trincheira (Foto: Chris A. Hughes) 
Uma das fotografias mostram soldados em uma trincheira (Foto: Chris A. Hughes)

Após este interessante 'achado', Hughes desenvolveu o que ele chama de uma "estranha obsessão" para encontrar filmes. Ele já era um ávido colecionador de câmeras antigas com mais de 300 câmeras em sua coleção que datam de 1847, mas agora ele mudou seu foco para a busca de câmeras em que o filme ainda esteja dentro do equipamento.
Os resultados estão publicados em seu site em que ele mostra a imagem da câmera comprada e o filme encontrado.

Câmera 'Richard Verascope' que foi comprada por Chris A. Hughes (Foto: Chris A. Hughes)Câmera 'Richard Verascope' que foi comprada por Chris A. Hughes (Foto: Chris A. Hughes)

Chris A. Hughes e sua coleção de câmeras antigas (Foto: Chris A. Hughes)Chris A. Hughes e sua coleção de câmeras antigas (Foto: Chris A. Hughes)


Do G1, em São Paulo

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