quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Alvin York "Sargento York " (1887 - 1964)


Alvin Cullum York nasceu em 13 de dezembro de 1887 em Pall Mall, Tennessee, Estados Unidos. O mais velho de 11 irmãos, criado no seio de uma família que vivia da agricultura de subsistência, York cresceu em uma região rural e desde jovem destacou-se como um exímio atirador e, depois, como um encrenqueiro daqueles “que não leva desaforo para casa”. 

Entretanto, a morte de um amigo em uma briga de bar, em 1914, fez com que York abandonasse este estilo de vida e passasse a freqüentar a Igreja de Cristo na União Cristã – um pequeno séqüito liderado pelo pastor H. H. Russell que existia nos Estados de Ohio, Kentucky e Tennessee. De um código moral extremamente rigoroso (ou “carola”) os seguidores desta Igreja, eram proibidos de beber álcool, dançar, ir ao cinema, nadar e mesmo ler literatura popular. A Igreja também tinha uma doutrina contrária à guerra e à violência. 

De acordo com a maioria das testemunhas, a conversão de York foi sincera e ele parou de jogar, brigar e beber. Dotado de uma boa voz, ele passou a liderar o coro da Igreja, onde também encontrou sua futura esposa, Gracie Williams. Contudo, a declaração de guerra dos EUA à Alemanha, em abril de 1917 mudaria drasticamente sua vida. 

Em 05.06.1917 York recebeu de uma colega da Igreja, Rosie Pile, o telegrama com sua convocação. Pile encorajou York a usar a doutrina da Igreja de Cristo na União Cristã como fundamento para pedir sua dispensa com base na alegação de “objeção consciente à guerra”. No entanto, seu pedido foi negado pelas autoridades que não reconheciam aquele culto como um segmento oficial da Igreja. 

Nunca tendo viajado mais de 70 quilômetros além de sua cidade natal, York representava em muitos aspectos o típico homem rude e de educação pobre que compôs a maior parte do Exército americano da I Guerra Mundial. Seu treinamento básico foi feito em Camp Gordon, Georgia e, como um membro da Companhia Company G do 328º de Infantaria – parte da 82ª Divisão conhecida como "All American Division" – ele rapidamente estabeleceu uma reputação de atirador exímio, mas “sem estômago para a guerra”. Somente após semanas de debate e aconselhamento, com o comandante da sua companhia, George Edward Buxton, é que York passou a admitir que, algumas vezes, a guerra era “moralmente aceita”. Diante disso, ele aceitou lutar. 


Enviado à França com a Força Expedicionária Americana sob comando do General John Pershing (1880-1948), York entraria para a História pelos seus feitos durante a Batalha do Rio Meuse e da Floresta de Argonne, em 08 de outubro de 1918. Servindo como um cabo no 2º Batalhão do 328º Regimento de Infantaria, ele assumiu o comando de seu destacamento após três outros graduados terem sido mortos. A missão do batalhão de York era capturar a linha de trem em Decauville, em posse dos alemães, e destruí-la. 

Tomar a estrada de ferro era essencial já que ela servia de suporte e comunicação para as forças alemãs e sua captura permitiria aos Aliados um ataque em maior escala. Durante o ataque, o 328º viu-se em um vale em formato de funil, que se tornava cada vez mais estreito enquanto eles avançavam. Cada lada do vale era ocupado por vários ninhos de metralhadoras e tropas de infantaria alemãs que alvejavam os americanos por ambos os flancos à medida que penetravam no vale. Logo, uma intensa barragem de artilharia caiu sobre o 328º Regimento bloqueando o ataque e expondo os americanos a um fogo cruzado mortal. 

O fogo alemão cobrou um alto preço em baixas entre os americanos, que procuravam abrigo em qualquer lugar imaginável. Algo tinha que ser feito para silenciar os ninhos de metralhadoras e o sargento Bernard Early ordenou que três esquadras (incluindo a de York) avançassem atrás das linhas alemãs e destruíssem as metralhadoras. 

Sua missão foi extremamente bem sucedida e eles rapidamente capturaram o posto de comando alemão, fazendo prisioneiros os soldados que estavam se preparando para um contra-ataque contra as posições americanas. Enquanto os homens de Early estavam organizando os prisioneiros, as metralhadoras situadas na outra bancada do vale abriram fogo, matando seis americanos (entre eles o melhor amigo de York, Murray Savage) e ferindo outros três (entre eles o sargento Early, atingido 17 vezes). O comando foi assumido pelos cabos Harry Parsons e William Cutting que ordenaram a York que destruísse as metralhadoras ainda ativas. 

Uma das inúmeras ilustrações sobre a ação do sargento York

York avançou com apenas sete homens, armado apenas com seu fuzil Enfield M1917 e de sua pistola Colt M1911, eliminando com sua pontaria certeira, posição após posição inimiga. Em um de ataques, o Oberleutnant Vollmer descarregou sua pistola tentando em vão atingir York. Após ser capturado pelo americano e ver as baixas entre suas tropas aumentar, Vollmer ofereceu a rendição de sua unidade para o cabo York – que muito alegremente a aceitou. Ao fim de sua ação, York e seus sete homens haviam silenciado 35 ninhos de metralhadoras e marcharam de volta com 132 prisioneiros alemães do 120º e 125º Regimentos de Wurttemberg, da 7ª Companhia Bávara de Minas e do 210º Regimento de Reserva Prussiano. Ele, pessoalmente, havia matado 20 inimigos sob a pontaria certeira de suas armas.
Embora York nunca tenha afirmado que fez tudo sozinho, apenas o sargento Early e o cabo Cutting receberam reconhecimento por sua participação no evento, sendo condecorados com a Distinguished Service Cross em 1927. 

Inicialmente, o comando americano reconheceu os feitos de York condecorando-o com a Distinguished Service Cross. A França o agraciou com a Croix de Guerre e com a Legion D’Honneur. A Itália e Montenegro (também aliados) condecoram-no com a Croce di Guerra e com a Medalha de Guerra respectivamente. Entretanto, após o fim das hostilidades, em fevereiro de 1919, a concessão da Distinguished Service Cross foi substituída pela Medalha de Honra do Congresso – que foi entregue a York pelo próprio General John Pershing. Ele foi promovido à sargento e, assim, nascia o mito do “sargento York”. 

O feito de York e suas origens humildes capturaram a imaginação do povo americano não pelo fato de quem ele era, mas pelo que representava: o humilde, autoconfiante, patriota temente a Deus e que se recusou a ganhar dinheiro em cima de sua fama. Ironicamente, ele representava a rejeição do mundo mecanizado, pois dependia unicamente de sua habilidade natural de bom atirador e caçador. 
Retornando aos EUA em 1919, ele casou-se com Gracie Williams e viveu em uma casa comprada pelos integrantes do Nashville Rotary Club. Ele usou sua fama apenas para obter fundos para melhoras estradas, gerar mais empregos e promover a educação em seu condado natal. Durante os anos 20 ele procurou levantar dinheiro para sua própria escola, o Instituto York. 

Em 1940 ele foi contatado pelo produtor de Hollywood, Jesse L. Lasky que desejava fazer um filme sobre seus feitos e sua luta com sua consciência religiosa. A única exigência de York foi que seu papel deveria ser interpretado pelo astro Gary Cooper (1901-1961). O papel deu a Cooper um Oscar de melhor ator em 1941. Durante a II Guerra Mundial, York esteve envolvido na venda de bônus de Guerra, discursos em prol do alistamento e inspeções de tropas para elevar a moral.





Depois da guerra sua saúde começou a deteriorar e, em 1954, ele sofreu um derrame que o deixou confinado a uma cama pelo resto de seus dias. Se não bastasse, em 1951 York foi acusado de evasão fiscal pelo Fisco norte-americano e ele passaria vários anos lutando contra a Receita Federal. Graças à ação de alguns deputados, foi criado o Fundo de Ajuda a York para ajudá-lo a saldar sua dívida com o Imposto de Renda. Em 1961, o presidente John F. Kennedy considerou os atos da Receita Federal contra York “uma desgraça nacional” e indultou o velho soldado de qualquer débito ainda existente.

Alvin York, pouco antes de sua morte em 1964.

Alvin York faleceu em 02 de setembro de 1964 aos 76 anos de idade e foi enterrado com honras militares no cemitério da Igreja Metodista de Wolf River no Tennesse.




2 comentários:

  1. Waldeleu Brito - contador3 de fevereiro de 2017 12:00

    A personalidade do sargento York desmistifica, ao mesmo tempo, a necessidade de guerras, de religiões antropomórficas e de políticas patrimonialistas. Uma Educação voltada para crianças de tenra idade, ensinando-as a explorarem o seu Inconsciente através da Yoga e da Meditação, abrirá a verdadeira utopia para uma sociedade plenamente feliz

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