quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Águia nazista continua sendo 'batata quente' no Uruguai

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Cruz De Combate da Força Expedicionária Brasileira – FEB

Cruz de Combate II Classe e Distintivo da Cobra Fumando
A FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi criada por decreto em janeiro de 1943 pelo governo de Getúlio Vargas. A mobilização de uma força expedicionária que pudesse ir guerrear nos campos europeus respondia a dois objetivos principais do governo brasileiro: por um lado, atendia a mobilização popular que pressionava o governo por uma ação concreta em defesa do território nacional e frente a agressão imposta pelas forças alemãs ao naufragarem navios de bandeira brasileira, primeiro na costa dos EUA e, posteriormente, na costa brasileira; Por outro lado, a mobilização de uma força e a possibilidade de envia-la além mar servia de pressão junto ao governo dos Estados Unidos para o fechamento de contratos de aquisição de material bélico para as forças armadas brasileiras.

Após meses de preparação, o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira parte para a Itália em julho de 1944. A Cruz de Combate foi criada através do Decreto N. Seguindo a tradição da medalhistica militar, foi criado, através de decreto lei 6795 de 17 de agosto de 1944, o mesmo que criou também a Medalha de Campanha da Força Expedicionária Brasileira. [1]

A Cruz de Combate foi criada para distinguir atos de bravura entre os militares da Força Expedicionária Brasiliera. Na história da medalhistica militar brasileira, a última condecoração concedida por bravura foi a Medalha de Bravura da Guerra do Paraguai (1865-1870). A Cruz de Combate foi divida em duas classes: a 1ª Classe, originalmente dourada; e a 2ª Classe, originalmente prateada.

A Cruz de Combate de 1ª Classe deveria ser concedida a todos os soldados que praticassem atos considerados de bravura e sacrificio no teatro de guerra. Existiu também a possibilidade desta medalha ser concedida a uma unidade como um todo (uma citação, por exemplo, como ocorreu com a Cruz de Guerra francesa  que foi concedida a algumas unidades norte-americanas durante a II Guerra Mundial).
A Cruz de Combate de 2ª Classe deveria ser concedida a feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares. Os critérios das medalhas são sempre subjetivos e instigam a várias questões: quantas medalhas foram concedidas? Quantas foram dadas a oficiais e quantas foram dadas para soldados? Existiu uma preocupação nesse sentido pelo alto escalão da FEB?

Não sabemos exatamente quantas cruzes de 1ª ou 2ª classe foram concedidas durante a II Guerra Mundial.  As informações ainda são escassas, mas podemos fazer uma estimativa. No livro O Paraná na FEB, o veterano Agostinho José Rodrigues lista que 52 combatentes do estado do Paraná foram agraciados com a Cruz de Combate de 1ª Classe e 32 combatentes receberam a Cruz de Combate 2ª Classe. [2] Podemos estimar que entre 1500 e 1700 Cruz de Combate de ambas as classes foram distribuidas aos combatentes brasileiros.

Algumas medalhas foram entregues ainda na Itália. Em cerimônia efetuada em 19 de maio de 1945 foram entregues algumas Medalhas de Guerra e Cruzes de Combate a oficiais e praças. Outras cerimonias foram efetuadas ainda na Itália, em geral, destinadas a entrega de condecorações a oficiais. [3] Com o regresso para o Brasil, houve algumas cerimônias privadas em unidades militares para a entrega de condecorações. Mas como a maioria dos integrantes da Força Expedicionária Brasileira eram voluntários e reservistas, muitas medalhas foram entregues, no final da década de 1940, para as associações regionais de veteranos. Estas associações ficaram responsaveis pela distribuição das medalhas.

A Cruz de Combate de 1ª Classe - De prata dourada, formada por uma Cruz de Malta, maçanetada de oito pérolas, no anverso, contornada de um filete em relevo, com 1 milímetro de largura, nos intervalos dos ramos resplendor canelado, formando um quadrado com uma ponta em cada vão, a cruz carregada no centro de um disco com cinco estrelas na disposição do Cruzeiro do Sul tendo em torno uma coroa de louro, tudo em relevo.
Ao alto, por traz da cruz, pequena argola, presa a duas garras, uma na cruz, outra em um emblema composto de uma âncora e de um canhão passados em cruz e de quatro bandeiras e quatro fuzis, dois fuzis e duas bandeiras em cada lado, carregados de um globo geográfico, sobrecarregado das letras maiúsculas: F E B alinhadas, tudo lavrado em relevo, tendo ainda por trás uma garra com uma argola para prender a fita.
No reverso as legendas alinhadas: ESTADOS UNIDOS DO BRASIL; logo abaixo: relevo, sendo a palavra primeira abreviada: em seguimento virão gravados o nome do combate lembrado e a data em que foi praticado o ato de bravura.
Fita de seda chamalotada de vermelho com bordadura verde nos lados.

A Cruz de Combate de 2ª Classe – em tudo semelhante a de 1ª Classe, sendo porém, de prata e tendo no reverso: “2ª Classe” em lugar de “1ª Classe”. Abaixo, imagens da Cruz de Combate II Classe, lembrando que o modelo de I Classe é similar:


Cruz de Combate II Classe – Modelo original

No modelo acima, é possível perceber a bela pátina no metal da medalha. O aspecto “negro” do metal dá um tom de antiguidade para a peça, insuperável frente a qualquer falsificação/reposição.
Muitos militares receberam também os diplomas das referidas condecorações. Abaixo, modelo de diploma da Cruz de Combate de 2a Classe:

Diploma da Medalha Cruz de Combate de II Classe

MODELOS DE REPOSIÇÃO
Como todas as medalhas da FEB, as Cruzes de Combate também possuem modelos de reposição, ainda fabricados atualmente. Abaixo, vemos a comparação de um modelo original com outro de reposição:


Comparação da parte da frente – Cruz de Combate II Classe
A esquerda temos o modelo original que ilustra este artigo. À direita, o modelo de reposição. Temos duas considerações iniciais sobre a diferença entre os dois modelos e que são perfeitamente perceptiveis ao olhar atencioso.

1). O espaço entre o globo e a âncora no modelo original é vazado; no modelo de reposição é junto;
2). A medalha de reposição não possui o olhar acima dos feixes do globo. Em alguns modelos de reposição, este olhal existe. Ficar atento a este detalhe.

Estas são as duas caracteristicas mais aparentes em uma análise inicial. É possivel perceber ainda as sutilizas da cunhagem antiga e da cunhagem moderna. A antiga, de melhor qualidade que a moderna. Importante lembrar que os modelos de reposição não possuem patina. A patina é um processo natural que ocorre em muitos metais, sobretudo aqueles que possuem prata na liga do metal. A medida que o tempo passa, a patina vai deixando o metal mais escurecido. As medalhas de reposição carecem desta caracteristica, que pode ser encontrada em alguns modelos originais.


Comparação da parte de trás – Cruz de Combate II Classe
Aqui a diferença é perceptivel também. É posivel notar que a inscrição Cruz de Combate II Classe difere do modelo original para o modelo de reposição. A principal diferença é quanto aa posição da inscrição. É possivel ainda perceber diferenças nas letras empregadas na inscrição. Acima, enxergamos perfeitamente o solido bloco formado pela ancora e pelo globo, na medalha de reposição. Abaixo, closes de ambas as medalhas:


Exemplar Original da Cruz de Combate II Classe – CC2

Exemplar de reposição – Cruz de Combate II Classe – CC2
Assim, é possivel distinguir com clareza as diferenças entre os modelos originais e de reposição. No entanto, é necessário ressaltar, os modelos de reposição não são considerados falsificações. Estes modelos não foram concebidos para enganar colecionadores ou principiantes inexperientes. Seu objetivo inicial foi prover os veteranos que não possuiam mais suas medalhas com os chamados modelos de reposição, ou seja, medalhas iguais as antigas, porem fabricadas atualmente. No entanto, veremos abaixo algumas falsificações que apareceram recentemente no mercado.


FALSIFICAÇÕES DA CRUZ DE COMBATE

Falsificações são peças fabricadas ou transformadas com o objetivo de se passarem por peças originais. Em geral, o objetivo maior do falsificador é enganar um comprador potencial e vender o item falsificado pelo preço de mercado de um item original. Muitas vezes, o fasificador vende por um valor abaixo do valor de mercado. Neste caso, o falsificador lucra, mas o colecionador perde, pois pagou caro por um item que nada vale, a não ser como réplica.
O colecionismo de peças da FEB ganhou, nos ultimos anos, muitos adeptos. Por volta de 2004/2007 eram poucos os colecionadores e itens da FEB eram comprados nas feiras de antiguidades e mercados de pulgas por alguns reais. Atualmente, houve uma explosão desse nicho de colecionismo e alguns itens chegam as dezenas de reais.
Porque houve o súbito interesse pela FEB nos ultimos anos? Provavelmente, este interesse tem relação com o crescimento do estudo da II Guerra Mundial em geral. A literatura em português sobre a guerra tem crescido a cada ano. Se tornaram frequentes também os documentários e reallity shows relacionados à temática militar nos ultimos anos. Vivemos um surto de interesse sobre a II Guerra Mundial comparável à déada de 1970, quando um grande numero de obras foi tradzido e lançado em português.
O crescimento do nicho FEB no colecionismo parece ter atraído olhares indesejosos: as falsificações surgem em momentos de euforia e de aumento de demanda no mercado, justamente em busca de colecionadores principiantes que, na euforia de achar que estão perto de uma peça rara, acabam investindo uma soma grande em uma peça ruim.
Alguns meses atrás recebi estas imagens de duas cruzes de combate. Embora as imagens estejam ruins, é possivel identificarmos algumas caracteristicas de modelos de reposição nestas medalhas. Minha opinião é de que foram ‘adaptadas’ para se parecerem com os modelos originais:
 

Cruz de Combate 1a Classe – FALSA

Cruz de Combate 2a Classe – FALSA
Minha opinião é que ambos os modelos foram modificados para parecerem-se com os modelos originais. É perceptivel que o falsificador tentou remover o metal entre o globo e a ancora de ambas as medalhas. O metal está com um aspecto envelhecido falso, provavelmente por uso de algum material corrosivo ou mesmo alguma lixa, para dar um aspecto de envelhecido. No entanto, é perceptível o caracter avalso deste ‘envelhecido’.
Neste caso, percebe-se a falta de patina no metal, sobretudo no modelo de II Classe. Se a medalha fosse original, o próprio processo a que foi condicionada teria eliminado esta pátina. O processo também atingiu as fitas, que foram costuradas para parecerem velhas.
É o primeiro caso que vejo de falsificação de medalhas da FEB.
O conhecimento é a melhor arma do colecionador.
[1] Decreto-Lei 6795 de 17 de agosto de 1944.
[2] RODRIGUES, Agostinho José. O Paraná na FEB. Imprensa Oficial do Paraná. Curitiba. 2006. p. 315-318.
[3] MORAES, Mascarenhas J. B. A FEB pelo seu comandante. 2a Edição revista e Ampliada. Junho de 1960. p. 286-287.


Fontes: http://frontantiguidades.com/
http://memoriasdofront.blogspot.com.br/
Texto: Fernanda Nascimento

sábado, 6 de dezembro de 2014

Bélgica revive campo de batalha em que se transformou durante 1ª Guerra




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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Centenas de brasileiros lutaram ao lado dos nazistas

Pela legislação nazista, filhos de alemães eram considerados alemães e, em tempo de guerra, eram obrigados a prestar serviço militar na Wehrmacht — forças armadas alemãs


 Dennison de Oliveira, autor de "Os Soldados Brasileiros de Hitler"

 
O mestre em ciência política e doutor em ciências sociais Dennison de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná, escreveu um livro muito bom, mas ainda exploratório, sobre brasileiros, filhos de alemães, que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao lado dos nazistas de Adolf Hitler. “Os Soldados Brasileiros de Hitler” (Juruá, 122 páginas) não contém aquelas pesquisas exaustivas típicas de scholars europeus e norte-americanos. Leitores exigentes, e não apenas os do meio acadêmico, certamente estranharão o fato de que os personagens do livro, todos reais, não aparecem com seus nomes verdadeiros. Os nazistas teuto-brasileiros só falaram com o historiador com a garantia de que suas identidades seriam preservadas. Como se sabe, os caçadores de nazistas não se aposentaram e, de repente, aqueles que lutaram apenas como soldados, sem comprometimento algum com o Holocausto e os outros crimes bárbaros, podem ter suas vidas expostas e, em consequência, execradas. Para provar que os depoimentos são verdadeiros, que não há invenção literária, Dennison divulga fotografias e dados precisos sobre os militares nazistas. Um escarafunchador de arquivos e entrevistador implacável como o repórter Fernando Morais faria miséria com a história dos soldados patropis de Hitler.

Pela legislação nazista, filhos de alemães eram considerados alemães e, em tempo de guerra, eram obrigados a prestar serviço militar na Wehrmacht (forças armadas alemãs). “Presumo que algumas centenas de brasileiros lutaram na Segunda Guerra Mundial sob a bandeira da Alemanha nazista”, escreve Dennison. O termo “presumo” significa que o assunto está à espera de uma pesquisa rigorosa, que, quem sabe, poderá ser feita pelo próprio historiador, que apurou (bem) as primeiras pistas.

Um dos primeiros entrevistados de Dennison era conhecido por seus colegas soldados como “Der Amerikaner” (o Americano), por ter nascido no Brasil. Como seu apelido era Gingo (ou Güingo, a pronúncia), o historiador usa as iniciais G. S.

Gingo (está vivo) nasceu em São Paulo, em 1925, filho de alemães que vieram para o Brasil em 1923. Em agosto de 1939, Gingo é levado para a Alemanha, para se “tratar” de febre amarela. Aos 14 anos, teve se filiar na Jungvolk, “organização juvenil controlada pelo regime nazista”. A doutrinação ideológica, segundo o entrevistado, não era fanática nem excessiva. Em 1942, aos 18 anos, foi convocado para o serviço militar. Alegou que era brasileiro e recebeu como resposta: “Se você tivesse nascido na África isso faria de você um negro?”

Enviado para a Tchecoslováquia, Gingo se tornou sargento-canhoneiro. O comando nazista decidiu enviá-lo para lutar na Itália. “Não me nego a ir ao front, mas não contra meus patrícios brasileiros”, disse ao capitão de sua unidade. Por se recusar a lutar, deveria ser fuzilado. “O sargento G. S. suava de escorrer suor pelas costas e nádegas”, mas resistiu. Um major decidiu protegê-lo, alegando que estava gravemente doente. Mais tarde, transferido para a infantaria, lutou contra o Exército Vermelho, na atual Eslováquia. Em Budapeste, “no posto de 3º sargento da infantaria, ele foi colocado no comando de um grupo de combate de sete homens, equipados com fuzis e uma única metralhadora de origem tcheca capturada aos partisans. As restrições no que se refere ao remuniciamento também eram pesadas: ele lembra de só ter disponíveis uns vinte tiros para cada arma, o que explica as limitações impostas: máximo de um ou dois disparos por arma; acima disso podia-se atirar somente com ordem superior”.

Intensamente bombardeado pelos soviéticos, o grupo de Gingo praticamente não dormia. Ele diz que às vezes dormia andando. Na região do lago Valence, G. S. se destacou nos combates e recebeu a Cruz de Ferro de Segunda Classe por bravura e foi promovido a 1º sargento. O militar conta que os húngaros temiam mais os soviéticos do que os alemães. O soviéticos estupravam meninas, mulheres adultas e idosas.

Preso pelos soviéticos, Gingo teve o relógio, presente de um padrinho brasileiro, roubado por um comissário esquerdista. Percebendo que teria um fim trágico nas mãos dos comunistas, Gingo escapou, junto com outros militares, e encontrou uma garota (os soviéticos “pregaram o avô dela com um prego pela língua” numa mesa, bateram em sua irmã, criança, e estupraram a avô e a mãe). Depois, o sargento caiu nas mãos dos americanos. “Para os soldados alemães era um alívio, um mal menor, ser prisioneiro dos americanos e não dos russos. O alemão não tinha medo, mas sim pavor do russo”, conta Gingo.

Num campo de prisioneiros, Gingo passou a fazer trabalhos braçais para os americanos. “A obra a qual foi destinado foi o desenterramento do cabo terrestre de comunicação Berlim-Roma, enterrado a três metros de profundidade, cujos condutores os americanos ambicionavam para si.” Relata o sargento G. S.: “Os soldados retornados às suas cidades recebiam as cartelas de racionamento de alimentos pelo prazo de três semanas. Mas tinham que obrigatoriamente assistir ao filme ‘Moinho do Diabo’ sobre atrocidades cometidas pelos alemães contra seus prisioneiros. De repente esse filme foi tirado de circulação, pois muitos soldados se reconheceram nesse filme como sendo eles os prisioneiros, e os Aliados, os carrascos”, conta Gingo. (Leia mais no site www.jornalopcao.com.br, na coluna Imprensa).

O sargento Gingo, deslocado para trabalhar numa pedreira, disse que era brasileiro e, por isso, perdeu o cartão de racionamento. Acusado de ser líder proeminente da Juventude Hitlerista, foi enviado para Hammelburg, um campo de concentração. Ficou três dias sem se alimentar e foi obrigado a trabalhar. “Com o tempo ele se convenceu de que havia o propósito da administração do campo em exterminar os detentos através da fome induzida. Para complementar a dieta ele teve de comer capim e cascas de árvores e lixo da cozinha”. Muitos prisioneiros morreram. Certa vez, a Cruz Vermelha enviou pacotes de alimentos e os guardas pró-americanos, supostamente filhos de judeus alemães, “colocaram os prisioneiros em forma e jogaram gasolina em cima de tudo e colocaram fogo”.

As pressões só cessaram quando o general americano George Patton visitou o campo. “Patton considerava o soldado alemão um soldado exemplar, que deveria ser respeitado”, anota o historiador. “Der Amerikaner atribui a essa visita do general americano o fato de sua vida e a de seus companheiros terem sido poupadas.”

Gingo ficou oito meses em Hammelburg e três meses em Darmstadt, “um grande campo para estrangeiros que serviram ao III Reich”. Em fevereiro de 1948, com o aval da Junta de Desnazificação e do subchefe da Missão Militar Brasileira, tenente-coronel Aurélio de Lyra Tavares, o Americano voltou ao Brasil, no navio Santarém.

A história de Fritz (pseudônimo) e seus irmãos é uma das mais interessantes do livro de Dennison. Fritz nasceu em São Paulo, em 1928. Os pais, que chegaram ao Brasil em 1923, tiveram cinco filhos, Renate, Karl e Martin, nascidos na Alemanha, e Peter e Fritz, nascidos no Brasil. Peter lutou como nazista, na frente russa, e sobreviveu, radicando-se em São Paulo.

Martin contou a Dennison a história dos irmãos Gerd Emil Brunckhorst e Paul Heinrich. O primeiro lutou na Itália, ao lado dos brasileiros. O segundo morreu no front russo, lutando como nazista.

No início da década de 1940, com 14 anos, Fritz filiou-se à Jungvolk. Em 1942, a família foi informada da morte de Karl, do Afrika Korps, na África do Norte. Lutou sob o comando do marechal Erwin Rommel. “Entre 1943 e 1944”, Fritz “entrou para a Marine-Hitlerjugend, a Juventude Hitlerista Naval.” Em 1944, foi convocado para “prestar serviço como” auxiliar “da defesa antiaérea”. Em Berlim, presenciou os ataques diurnos dos aviões Aliados. “Nunca tinha visto tantos aviões juntos de uma só vez.” Os incêndios pareciam tomar conta de toda a Berlim. Viu pessoas queimadas, desfiguradas e mortas. Na cidade de Wetzlar, no Estado de Hessen, Fritz foi “incorporado ao serviço ativo no exército alemão”. Foi enviado para lutar contra os americanos. “Seu grupo foi dizimado. Ele e mais dois colegas conseguiram ir de carona, sem terem recebido ordens para isso, num caminhão carregado de munição até a Turíngia.” Os americanos o aprisionaram em março de 1945. Passou fome durante o transporte para um campo de prisioneiros de Bad Kreuznach.

O relato de Dennison a partir dos apontamentos do ex-soldado: “Fritz lembra que ele e seu grupo foram os primeiros a entrar no campo que consistia de um descampado plano, cercado de arame farpado. Inexistiam alojamentos ou instalações sanitárias, o que obrigava os reclusos a dormirem ao relento, sob um clima úmido e extremamente frio, sempre dispondo de pouca comida. Nesse momento a fala de Fritz se torna mais contida, ao recordar o elenco de misérias e brutalidades a que foram submetidos os prisioneiros alemães. (...) Ele conta que as pessoas defecavam e urinavam em grandes fossas a céu aberto. Os mais enfraquecidos pela fome e pela doença caíam dentro dessas fossas e, sem forças para se safar, morriam afogados da maneira mais abjeta em excrementos humanos. No desespero de obterem pelo menos algum conforto, os prisioneiros chegavam a trocar suas alianças de ouro por alguns cigarros com seus guardas norte-americanos”. A história contada por Fritz raramente aparece nos livros, porque, teoricamente, muitos acreditam que, como fizeram sofrer, os alemães também deveriam sofrer. A história da internação dos alemães, no fim da guerra, é um capítulo que merece resgate mais amplo. A versão dos americanos como captores benevolentes talvez precise ser refeita, embora não fossem, é claro, tão bárbaros quanto os soviéticos.

No campo, relata Fritz, “um grupo significativo de alemães morria” todo dia. “Se você perguntar a qualquer alemão o que foi um campo de extermínio, certamente ele irá te mencionar algum desses, de prisioneiros de guerra que os americanos improvisaram”. Fritz pegou tifo no campo e passou muito mal.

Em 1945, doente, Fritz conseguiu voltar para a casa dos pais. Recebeu informações sobre os irmãos. Martin havia sido aprisionado pelos russos, na Romênia. Peter estava na zona de ocupação inglesa. Renate estava em Portugal, na Embaixada Alemã. Recuperado, Fritz trabalhou na zona de ocupação russa e, mais tarde, fugiu para o lado americano, escapando para a Holanda. Em 1947, ele e Peter voltam para o Brasil, “no navio Santarém, primeiro navio brasileiro a fazer a rota até a Alemanha, saindo de Hamburgo com escala em Lisboa”.

Como saíra jovem do Brasil, Fritz descobriu que não sabia mais falar português e teve de ser amparado pelo irmão Peter, que não havia esquecido a língua. Fritz trabalhou na fábrica de fogões Wallig, em São Paulo, e na empresa MacMillan. Foi funcionário e sócio da Jarosch & Cia, representante da fábrica de armarinhos Ipu, de Nova Friburgo.

Ao contrário de nazistas que esqueceram o nazismo, Fritz contou a Dennison que era “entusiasta do regime”. “Ele se recorda de que, ao contrário do que hoje se imagina, as preleções políticas e doutrinárias aos jovens não tinham nada de exagerado. A despeito da inexistência de qualquer esforço para ‘fanatizar’ os jovens, ele próprio manteve até o fim a fé na vitória da Alemanha sobre os seus inimigos, mesmo quando já se encontrava em um campo de prisioneiros norte-americano em março de 1945. Ele lembra que os mais velhos — cita a sua própria mãe como exemplo — eram consideravelmente mais céticos com relação ao futuro do país sob regime nacional-socialista”.

Fritz foi entrevistado por Dennison em São Paulo, em 2002, e faleceu em 2006. Estava muito doente quando conversou com o historiador.

Cruz de ferro — Martin, irmão de Fritz, foi entrevistado por Dennisson em 2002, em São Paulo. Convocado em 1941, foi enviado para Posen, “no antigo corredor polonês”. Lutou contra partisans, na Lituânia, e contra tropas soviéticas. Foi condecorado (com a cruz de ferro) pelas batalhas contra as tropas comunistas. Ferido em combate, foi levado para a França. Recuperado, voltou para a mortal frente soviética, na Ucrânia, “sem armas. Toda divisão seria reequipada e armada lá mesmo na frente russa, na região de Poltava, tendo seguido depois para as margens do Rio Dnieper ao sul de Kharkhov”. Contraiu malária e foi retirado do front. Retornou à luta em abril de 1944, na artilharia, na Romênia. Tornou-se comandante de uma bateria. “O dia mais marcante no front, segundo suas lembranças, foi 22 de agosto de 1944. Naquele dia, intenso fogo de artilharia russa engolfou as posições alemãs de norte a sul, em apoio de um grande ataque das tropas soviéticas.” Sob pressão dos soviéticos, as tropas alemãs recuaram e entupiram as estradas, em fuga. Foi ferido outra vez, pelos soviéticos.

Capturado pelos soviéticos, Martin foi roubado. “Apesar de estar precariamente vestido, os seus captores fizeram questão de tirar-lhe os pertences pessoais, as botas, e parte das calças, estas últimas tiradas a faca pelos” soviéticos, “como resposta a sua alegação de que esta não sairia facilmente de seu corpo.” No trajeto para um campo de prisioneiros, foi novamente roubado pelos soviéticos, “que desta vez levaram-lhe as meias, que ele recorda estarem já empapadas de sangue coagulado. Quando finalmente chegou ao campo, estava descalço e seminu”.

Martin passou cinco anos em campos de prisioneiros para militares alemães. Passou fome e foi intensamente pressionado pelos soviéticos. “Em 1950 ele foi devolvido pela URSS à recém-fundada República Federal da Alemanha.” De lá, voltou ao Brasil. Mora em São Paulo e planeja escrever um livro sobre sua história.

Banzo brasileiro — Hans (pseudônimo), brasileiro que lutou como nazista, foi entrevistado por Dennison em 2002. Nasceu em São Paulo, em 1926. Os pais, austríacos, voltaram para a Europa em 1938. Na Alemanha, filiou-se à Jungvolk e, depois, à Juventude Hitlerista. Lembra-se de Hamburgo bombardeada pelos Aliados. “A fúria dos ataques aliados promovera incêndios tão extensos (e prolongados — foi em Hamburgo que se empregou pela primeira vez a tática de revezamento ininterrupto de bombardeios diurnos norte-americanos com noturnos britânicos — naquilo que era conhecido como o ‘round-o-clock bombing’) que o asfalto das ruas se derretia e neles as pessoas em fuga acabavam presas.”

Em 1944, o garoto Hans foi convocado “para prestar o serviço militar no exército”. No fim desse ano, foi enviado para a Tchecoslováquia. Em busca de alimentos, encontrou grãos de café e sentiu saudade do Brasil. Em 1945, ainda na Tchecoslováquia, quase perdeu os pés, por conta do frio. “Os médicos decidiram pela amputação de parte das extremidades dos dedos dos seus dois pés, irremediavelmente comprometidos pela gangrena. Apesar de anestesiado, no período pós-operatório delirou intensamente, xingando e praguejando o tempo todo em português, para assombro do pessoal médico que o assistia.”

Hans diz ter ficado sabendo do relacionamento entre Hitler e Eva Braun apenas em 1945, quando, prisioneiro dos americanos, leu uma reportagem num jornal do exército dos Estados Unidos. A imprensa alemã não divulgava a história.

Repatriado, Hans chegou ao Brasil em 1947 e seus pais, em 1948. “Ele lembra que foram os primeiros brasileiros a serem repatriados.” Ele vive em São Paulo.

Selvageria soviética — Filho de alemães, Max nasceu no Brasil, em Santa Leopoldina, em 1928. Quando tinha 7 anos, em 1935, os pais voltaram para a Alemanha. Aos 10 anos, em 1938, entrou para a Jungvolk. Em 1942, aos 14 anos, ingressou na MarinerHitlerJugend, o ramo da juventude hitlerista administrado pela Marinha. O irmão Hans (que não é o Hans citado anteriormente) foi morto na frente soviética.

Entre 1944 e 1945, Max “ofereceu-se como voluntário para o trabalho de cavar trincheiras antitanques perto de Bratislava, na Tchecoslováquia. (...) No início de 1945 voltou a Berlim para se alistar seguindo logo depois para Viena na Áustria. Não chegou a se envolver em operações de combate”.

Max diz que o bombardeio de Berlim foi impressionante. “Numa única noite de bombardeio todo seu bairro foi inteiramente arrasado.” No fim da guerra, ele estava em Berlim. Sua família entrou em contato com o major Rubens, do Exército brasileiro com o objetivo de voltar para o Brasil. “Nessa ocasião [Max] presenciou diversas cenas de atrocidades por parte das tropas” soviéticas “de ocupação. Ele se recorda de que o comportamento e o nível de instrução das tropas sob comando” soviético “era extremamente rude e primitivo. Ele se lembra de ter visto soldados” soviéticos “arrancarem e levarem consigo as torneiras das paredes de banheiros e cozinhas, imaginando que assim poderiam ter água em qualquer lugar... Lembra também de vários casos de violência sexual perpetrada por russos contra mulheres alemãs de todas as idades que, até onde ele pôde perceber, eram tolerados senão encorajados pelos próprios escalões superiores da hierarquia militar soviética.”

Para livrar-se dos soviéticos, Max fugiu para a zona de ocupação francesa, onde viveu até 1947. Voltou para o Brasil nesse ano. Max vive em São Paulo.

Fome e porcos — Chicco (pseudônimo) foi o último entrevistado de Dennison. Nasceu em São Paulo, em 1927, e foi enviado pelos pais para a Áustria em 1939. Ele e um irmão se filiaram à Juventude Hitlerista. Em 1943, tornou-se auxiliar da Força Aérea Alemã. Participou de treinamentos na Alemanha, na Dinamarca e na Holanda. O soldado britânico que o capturou gritou: “... um brasileiro! Pegamos um brasileiro!” Depois de interrogado, foi jogado “por seus captores num chiqueiro onde havia alguns porcos grandes e famintos. Ali ele passou o seu primeiro dia como ‘prisioneiro de guerra’”.

Como falava inglês fluentemente, Chicco trabalhou para os ingleses. Na Holanda, contou o soldado, “se passava muito frio e se sofria muita fome”. Ele relata que “presenciou vários linchamentos de soldados alemães pelos civis locais”. Em maio de 1945, quando a guerra acabou, Chicco estava na cidade de Neuburg, próximo ao Rio Reno.

Chicco “convenceu seus captores a libertá-lo, o que possibilitou viajar até Antuérpia, na Bélgica. Lá ele finalmente conseguiu ser recebido pelo vice-cônsul brasileiro que, na sua lembrança, se chamava Júlio Diogo. Ele é que providenciou seu retorno ao Brasil de navio”. O pesquisador optou por não verificar quem é Júlio Diogo. Chicco trabalhou na Volkswagen e morreu em São Paulo em 2008.

Depois da guerra, cerca de 5 mil pessoas foram “repatriadas”. O coronel Lyra Tavares contabilizou “o envio para o Brasil de 2.445 brasileiros e 2.752 estrangeiros”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BRIGADEIRO ANTÔNIO DE SAMPAIO - UM SERTANEJO, GRANDE SOLDADO DO BRASIL





 
Cel Cláudio Moreira Bento
Presidente da FAHIMTB




Comemora-se, dia 24 de Maio, mais um aniversário da batalha de Tuiuti, contaremos para os leitores e para os soldados do Exército Brasileiro e, em especial aos da Arma de Infantaria, a história de um dos maiores soldados do Brasil – O Brigadeiro Antônio de Sampaio – ligado a Tuiuti.

De origem humilde, igual à grande maioria dos soldados brasileiros, iniciada sua vida militar como simples soldado, escalou os postos da carreira militar e, após sua morte gloriosa, recebeu o honroso título de “O bravo dos bravos”, além do de “Patrono da Infantaria Brasileira” – A rainha do Campo de Batalha, num atestado das profundas raízes populares e democráticas do Exército Brasileiro que proporciona oportunidades aos mais capazes e valorosos, independente de suas origens.

SERTANEJO DO CEARÁ

Nasceu nosso herói na Fazenda Vítor, Município de Tamboril, no atual Ceará, em 24 de maio de 1810, data que assinalaria, 56 anos depois, sua entrada para a glória militar eterna, por sua excepcional atuação na Batalha de Tuiuti – a maior batalha campal da América do Sul – mas esta é outra história.

Sertanejo nascido numa região frequentemente assolada pelas secas, Sampaio cresceu sem instrução, num meio de ignorância e pobreza.

Neste meio ambiente, Sampaio formou seu caráter, e dentro da escala de falsos valores locais, tornou-se um líder, por reconhecerem nele um “cabra macho” provado em diversas disputas com valentões das redondezas, além de inspirado cantador popular.

Era audacioso e possuidor de coragem física e moral invulgar. Tornou-se, por outro lado, um destacado lidador nas tarefas sertanejas e era um fascinado pela atividade da pecuária - a vaquejada.

AMOR NA JUVENTUDE

Apaixona-se, perdidamente, por uma bela camponesa de 13 anos, de nome Maria Veras, no que é correspondido, mas ela é filha de uma família fidalga inimiga da sua – fato comum no sertão nordestino de então.

Sampaio, apaixonado, insiste no namoro, ao ponto do pai de Maria Veras, “cabra birrento”, contratar sua morte, a ser executada por bandoleiros que infestavam o sertão.
Perseguido e com o coração partido – Sampaio, para fugir à morte certa sob os punhais assassinos de bandoleiros, vai para Fortaleza, à procura de trabalho onde pudesse acumular economias, para um dia retornar ao seu querido Tamboril e desposar a eleita de seu coração.

ABRAÇA A CARREIRA MILITAR

Em Fortaleza é atraído, irresistivelmente, pela carreira das armas e apresenta-se voluntário no 22º Batalhão de Caçadores de Linha com a idade de 20 anos, em 17 de julho de 1830.

Tem início uma das mais belas carreiras do Exército Imperial do Brasil.

Por seu valor excepcional, caracterizado por uma coragem física e moral invulgar, aliada a liderança inconteste sobre seus pares, é elevado, aos seis meses de caserna, a graduação de furriel – equivalente a 3º Sargento.

Em 4 de abril de 1832 recebeu seu batismo de fogo nas ruas de Icó e Fortaleza.

Nesta ocasião, dizem alguns historiadores, o Furriel Sampaio teve a inspirada ideia de armar seus soldados, que pacificavam índios rebelados, com escudos de proteção contra flechas e lanças. Por esta razão, é considerado por alguns, como um dos precursores da Infantaria Blindada Brasileira.

DECEPÇÃO DE AMOR 

Desfrutando, nesta altura, conceito entre seus superiores, recebe uma licença para voltar a seu querido Tamboril, atraído por irresistível amor à sertaneja Maria Veras.

Em Tamboril continua a oposição familiar a seu namoro. Sampaio encontra-se secretamente com sua amada e dela obtém o juramento de permanecer na casa de um amigo, até a sua maioridade, pois tinha somente 16 anos.

Em reconhecimento à sua destacada atuação na Cabanada, foi efetivado no posto de Alferes em 20 de maio de 1839, com a idade de 29 anos.

Orgulhoso com o oficialato, após nove anos de praça e, com bastantes economias, obteve permissão para ir a Tamboril cumprir seu juramento de casamento com sua eleita Maria Veras, e dar combate aos bandoleiros que infestavam a região.

Ao chegar a Tamboril com o coração transbordante de felicidade, tem conhecimento da terrível notícia. Maria Veras desposara um desconhecido, pouco após sua última visita a Tamboril.

Esta cruel decepção de amor, amargaria o coração do jovem soldado durante os próximos 10 anos, até que conhecesse a gaúcha Júlia dos Santos Miranda, que serviu, segundo suas próprias palavras, como uma paixão refletida para acalmar uma louca paixão, ou de compensar um grande amor por um amor maior.

NA PACIFICAÇÃO DO MARANHÃO 

Após esta amarga decepção segue para o Maranhão para tomar parte da pacificação da revolta da Balaiada. Na luta, torna-se dos mais constantes, destacados e incansáveis oficiais da Infantaria. O bravo Alferes Sampaio comandou, pessoalmente, pelotões e companhias, em 36 ações de combate.

Torna-se o terror dos bandoleiros, aos quais não dá quartel, talvez recordando-se daqueles que tanto prejudicaram sua vida em Tamboril, impondo a lei injusta e irracional do mais forte.

Sua atuação foi decisiva para a vitória da Pacificação do Maranhão, por neutralizar ou dispersar a malta de bandidos que infestavam e infelicitavam o Maranhão, o Piauí e até o Ceará, sem outros objetivos que não o crime.

Aonde se homiziasse um bando Sampaio, como sertanejo excepcional, ia buscá-los e neutralizá-los.

Seu desassombro em combate, enfrentando o inimigo de peito aberto, sem ser atingido em inumeráveis combates, deu origem à lenda entre seus comandados e bandoleiros, de que Sampaio, em virtude de uma oração que trazia junto ao peito, tinha o corpo fechado a balas e baionetas. Este misticismo ajudava a inspirar seus soldados a segui-lo em empreitadas arriscadíssimas, ao mesmo tempo que infundia temor aos seus adversários.

Em 11 de setembro de 1843, com idade de 33 anos, foi promovido a Capitão como recompensa pelos assinalados serviços na pacificação do Maranhão.

Nos intervalos das lutas aprendeu com facilidades a ler e escrever. Decorridos 14 anos, aquele sertanejo inculto e façanhudo de Tamboril – agora alfabetizado – torna-se Ajudante de Ordens do Comandante de Armas do Ceará e, após, do próprio Governador da Província.

DEIXA PARA SEMPRE O CEARÁ 

Em 6 de novembro de 1844, o Capitão Sampaio deixa para sempre o Ceará, que amava tanto para, a distância, cicatrizar seu coração ferido por uma grande desilusão de amor, embora amasse profundamente sua terra natal, conforme declarou ao Sargento Oliveira, seu confidente: “Eu amo muito o Ceará, com especialidade o Tamboril meu berço natal; e morrerei com ele estampado nas ideias e gravado no coração.”

NO RIO GRANDE DO SUL

Sampaio chega ao Rio Grande do Sul em princípios do ano de 1845, e pouco antes assiste em Bagé a assinatura da Paz de Ponche Verde – que teve lugar em terras hoje pertencentes à família do Presidente Emílio Garrastazu Médici, e que pôs um fim há dez anos de Revolução Farroupilha.

A seguir, é mandado para a atual cidade de Canguçu no comando de 150 homens para garantir o cumprimento dos termos da Paz de Ponche Verde.

CASAMENTO COM UMA GAÚCHA

Em 1849, com 39 anos de idade contraiu casamento muito provávelmente em Canguçu, onde se encontrava estacionado fazia mais de três anos. Estes 19 anos de solteiro talvez expliquem a sua excepcional dedicação ao Exército Imperial – como uma forma de sublimar sua paixão frustrada.

EM PERNAMBUCO OUTRA VEZ

Após haver fugido do Recife onde estivera preso injustamente como furriel, o Capitão Sampaio retorna pela segunda vez em 1850, para auxiliar e pacificar a Praieira.

Passou quase todo o mês de julho em operações na mata sul de Pernambuco.

É presumível que tenha nesta ocasião passado em Garanhuns.

No mês seguinte, após permanecer uma quinzena no Recife reembarcou com destino ao Rio Grande do Sul, onde seria aproveitado como instrutor por sua excepcional capacidade de profissional, traduzida por rara inteligência e grande conhecimento da natureza física e espiritual do infante brasileiro, de cujo convívio partilharia, diuturnamente, durante 20 nos, assistindo-o com seus sábios conselhos e justiça.

Sampaio, segundo depoimentos de contemporâneos, usava mais o exemplo do que as palavras, exercendo sobre seus soldados e oficiais aquele magnetismo, aquela ação catalizadora e hipnótica, que caracterizava os grandes e autênticos líderes de combates, além de inspirar uma confiança ilimitada por sua integridade, probidade e coragem moral e física.

Era o chefe e o pai de seus soldados e partilhava das alegrias e tristezas de todos, com autenticidade e não para fazer tipo. De origem humilde, igual a de seus soldados, considerava-se e era considerado o companheiro mais velho e mais experimentado.

NO RIO GRANDE DO SUL 

Nomeado Major, marcha para participar da Guerra Contra Rosas e Oribe, que tem seu epílogo em Monte Caseros, onde comandou, pessoalmente, disputados combates à baioneta.

A partir deste momento, todas as suas promoções passaram a ser por merecimento e o peito “do sertanejo” de Tamboril passou a cobrir-se de condecorações e comendas.

NA CORTE IMPERIAL

Sua fama de guerreiro intrépido chegou até aos ouvidos do Imperador, que o convoca para o Comando do Corpo Policial da Corte, cargo que desempenhou por sete meses, correspondendo à confiança do Governo.

EM BAGÉ COM OSORIO E MALLET 

Sampaio pediu para retornar ao Rio Grande do Sul onde contraíra matrimônio e havia se ambientado por completo, nos hábitos e costumes dessa Província, cuja psicologia de seus filhos muito assemelha-se a dos filhos do sertão nordestino.

Retornando a Bagé, foi comandante de Batalhão e de Brigada de Infantaria e, aí, conviveria com Osorio e Mallet.

Atentados constantes a propriedades de brasileiros no Uruguai, levaram o Império a intervir naquela República.

Nesta ação, da qual participaram com destaque e em íntima cooperação Osorio, Sampaio e Mallet, Paissandu foi submetida a enérgico bombardeio durante 52 horas consecutivas.

Na manhã de 2 de novembro, a Brigada de Sampaio avança, sob nutrido fogo inimigo, que se assemelhava a um chuveiro de balas. A infantaria de Sampaio toma casa por casa em disputados combates corpo a corpo, à baioneta, e os sitiados se entricheiraram na Praça Matriz, protegidos por canhões.

Neutralizada por Mallet a artilharia inimiga – quando Sampaio estava prestes a vencer a última resistência – viu tremular no ar a bandeira da rendição. Em 22 de fevereiro, a Brigada Sampaio entrou triunfalmente em Montevidéu, composta de três batalhões de infantes veteranos, ágeis e decididos, no corpo a corpo a baioneta e, em sua grande maioria, bravos sertanejos do Nordeste.

Os assinalados serviços de Sampaio a frente de seus bravos infantes em Paissandu, valeram-lhe o posto de Brigadeiro.

NA GUERRA DO PARAGUAI 





Com a eclosão da Guerra do Paraguai, Sampaio é nomeado inspetor da Arma de Infantaria, composta de recrutas do Nordeste, principalmente.

Sampaio recebe toda a autoridade e autonomia para plasmar esta infantaria. Em outubro de 1865, vamos encontrar Sampaio no comando da 3ª Divisão de Infantaria, composta de 4.400 bravos infantes.

Deixando à sua esteira um rosário de glórias, esta Divisão marcha até Tuiuti – local onde passaria à história como Divisão Encouraçada, e o sertanejo de Tamboril como o “Bravo dos Bravos”.

O SERTANEJO INTRÉPIDO EM TUIUTI 

Em 24 de maio de 1860, trava-se a maior batalha da América do Sul.

O Exército Aliado, em terreno estreito, é atacado, de surpresa pelo inimigo. O bravo Sampaio está na vanguarda com seus bravos cearenses do 26º Batalhão de Infantaria, que recebe todo o impacto do morteiro fogo inimigo.

Sampaio, a cavalo, exorta pelo exemplo seus bravos à resistência – o fracasso ou a vitória dependia da bravura de seus infantes da Divisão Encouraçada.

Vinte cargas de Cavalaria inimiga são lançadas sobre a Artilharia de Mallet e sobre a Divisão Sampaio, mas eles resistem bravamente e os cavalarianos inimigos mortos formam trincheiras naturais.

O flanco esquerdo da Divisão Sampaio é atacado, de surpresa por nove batalhões inimigos, mas a Divisão Encouraçada reage e não cede um milímetro – era a resistência a todo o custo. O Sertanejo Sampaio desdobra-se em três, cinco, mil, e acode a cavalo em todos os cantos.

Quatro de suas montarias caem varadas por lanças, baionetas ou tiros, mas Sampaio com bravura e destreza, esquiva-se dos golpes fatais - embora exposto a grandes perigos.

ENTRADA PARA A GLÓRIA MILITAR 

Teria procedência a lenda de que possuía o corpo fechado?

Quando desmontado, e empenhado no corpo a corpo, Sampaio é atingido na face por uma bala traiçoeira. Neste momento chega um emissário de Osório, para encorajar nosso herói a redobrar a resistência – porque o sucesso da batalha dependia do esforço derradeiro de Sampaio e seus bravos infantes.

Ferido pela segunda vez, à bala, e coberto de sangue, suor e poeira, o leão de Tamboril diz para o emissário: “Diga ao Marechal que estamos cumprindo o nosso dever – mas como já perdi muito sangue, seria conveniente que me mandasse substituir”. Mal acabava de pronunciar estas palavras é atingido por outro “balaço” que põe por terra, de joelhos, aquele bravo após mais de quatro horas de resistência tenaz e feroz.

Ajoelhado e desfalecendo ainda balbucia: “Diga ao Marechal que este é o terceiro ferimento...” E tomba ao solo ferido de morte, entre os corpos de centenas de bravos infantes feridos e mortos, da Divisão Encouraçada – fator decisivo da vitória aliada e que brindou a Pátria Brasileira com uma eterna glória.

Recolhido nos braços de seus soldados – presos de incontida emoção – em meio a grande consternação geral – “O Bravo dos Bravos” é retirado do campo de batalha.

MORTE DO BRAVO DOS BRAVOS 

Embora ferido mortalmente, aquele “sertanejo excepcional”, resiste a morte durante 43 dias e expira a bordo do navio Eponina que o transportava a Buenos Aires.

Por todas estas razões é que este bravo nordestino foi escolhido como o Patrono da Arma de Infantaria, por indicação de outro grande nordestino – provado na paz e na guerra, o então Major Humberto de Alencar Castello Branco.

Após 27 anos de ausência do Ceará, Sampaio retorna através de seus restos mortais – que atualmente encontram-se em mausoléu defronte o CPOR em Fortaleza. O SERTANEJO “FORTE DOS FORTES” Euclides da Cunha referiu que “o sertanejo é antes de tudo um forte”, e Sampaio, com muita propriedade, encarnou “o sertanejo forte dos fortes”, moral e fisicamente, além de ter sido “o brasileiro Bravo dos Bravos” na Guerra do Paraguai.

Sua vida de excepcional soldado que, de origem humilde, ascendeu ao quadro de oficiais-generais do Exército Imperial, merece ser assunto de cinema, como a vida do grande Marechal gaúcho Manoel Luiz Osório.

HOMENAGENS DEVIDAS A ESTE BRAVO NORDESTINO 

Para que sua memória não seja olvidada pelas gerações futuras e a pátria lhe tribute eternamente as honras a que faz jus, deveria ser erigido o Parque Histórico Brigadeiro Antônio Sampaio, dedicado a seu culto – à semelhança dos erigidos em memória de Osório – em Osório no Rio Grande do Sul e ao Duque de Caxias em Duque de Caxias no Estado do Rio.

Estranho, que a semelhança das cidades que Osório e Duque de Caxias nomes dados em homenagem a seus grandes filhos a cidade de Tamboril não tenha recebido o nome de Brigadeiro Sampaio. Caxias, Osório e Sampaio são três vidas dedicadas à pátria e suas atuações foram couraças que ampararam este gigante sul-americano em seus primeiros passos – e preservaram sua liberdade e integridade

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Tudo calmo no jardim da frente ocidental!

Especialista em Primeira Guerra Mundial transforma seu quintal em sistema de trincheira para mostrar o que a vida era realmente como na linha de frente

Andrew Robertshaw, 58, construiu a trincheira 18 metros quadrados com 30 voluntários na área atrás de sua antiga casa em Surrey. Passado um mês deslocando 200 toneladas de terra para construir espera ensinar as pessoas mais sobre as condições de vida terríveis sofridas pelas tropas britânicas durante a Grande Guerra . O historiador disse que os filmes e programas de TV, muitas vezes oferecem uma visão simplista e imprecisa de vida na linha de frente.
Cercado por arame farpado, sacos de areia e lama, esta trincheira mal se distingue daquelas ocupadas por soldados britânicos que lutam na Primeira Guerra Mundial, um século atrás.
A enorme trincheira foi minuciosamente recriados por um ex-professor de história no campo atrás de sua antiga casa em Surrey, e o dedicado senhor de 58 anos de idade, chegou mesmo passou algum tempo vivendo em seus limites com uma equipe de voluntários, como parte de seus esforços para experiência de vida como um soldado da Primeira Guerra Mundial.
O historiador Andrew Robertshaw e 30 voluntários - incluindo um destacamento de soldados que voltam do Afeganistão - passaram um mês deslocando 200 toneladas de terra para construir a enorme trincheira de três cômodos, que ele espera vai ensinar as pessoas mais sobre as condições de vida terríveis sofridas pelos As tropas britânicas durante a Grande Guerra.
 
Vida na linha de frente: 60 pés trincheira de Andrew Robertshaw, cercado por arame farpado, sacos de areia e lama, cobras através de um campo atrás de sua antiga casa em Surrey
Vida na linha de frente: 60 pés trincheira de Andrew Robertshaw, cercado por arame farpado, sacos de areia e lama,  através de um campo atrás de sua antiga casa em Surrey.
 
Andrew Robertshaw, vestido com uniforme militar da Primeira Guerra Mundial, olha para fora da trincheira, que ele passou meses construindo com 30 voluntários
Andrew Robertshaw, vestido com uniforme militar da Primeira Guerra Mundial, olha para fora da trincheira, que ele passou meses construindo.
 
Andrew Robertshaw de uniforme
Andrew Robertshaw na trincheira
Experiência de imersão: Sr Robertshaw, na foto à esquerda de uniforme e comendo "ração" dentro da trincheira.
 
Escavadas na terra: Vestido com uniforme militar, o Sr. Robertshaw caminha através da trincheira, onde as linhas de ferro corrugado as paredes de terra em ruínas
Escavadas na terra: Vestido com uniforme militar, o Sr. Robertshaw caminha através da trincheira, onde as linhas de ferro corrugado as paredes de terra em ruínas.
Aposentos dos oficiais: Mr Robertshaw acende uma pequena fogueira dentro de um dos três quartos do trench, decorado com fotos desbotadas e mapas da época
Aposento dos oficiais: Sr Robertshaw acende uma pequena fogueira dentro de um dos três quartos da trincheira, decorado com fotos desbotadas e mapas da época

Ele serpenteia por quase 100 metros, através de meio acre de campo atrás de sua antiga casa e possui uma cozinha, quartos (de oficiais  e dos soldados)  - completos com legumes penduradas no teto.

"[No cinema]  soldados estão indo por cima , para morte certa, ou que vivem nas trincheiras durante semanas a fio. A realidade, explicou, eram menos emocionante.
'Você viveria lá por cinco dias e depois ia embora por 20 dia e depois voltava. Existe uma rotina para ela." "Um veterano me disse que durante o seu tempo nas trincheiras que estava" 90% entediado, 9% congelado e 1% assustado ".

Terra de Ninguém: Arame farpado atravessa o campo em Charlwood, Surrey, protegendo a trincheira de possíveis inimigos
Terra de Ninguém: Arame farpado atravessa o campo em Charlwood, Surrey, protegendo a trincheira de possíveis inimigos.
 
Dura realidade: Mr Robertshaw, retratado na trincheira, disse que os filmes e programas de TV, muitas vezes mostrou as trincheiras como mais espaçoso e confortável do que eles de fato eram
Dura realidade: Sr Robertshaw, retratado na trincheira, disse que os filmes e programas de TV, muitas vezes mostrou as trincheiras como mais espaçoso e confortável do que eles de fato eram.
 
Pronto para a ação: A trincheira apresenta confusão de oficiais e ainda tem sua própria linha férrea simulada, na foto à esquerda, que os soldados teriam usado para trazer suprimentos
Pronto para a ação: A trincheira apresenta confusão de oficiais e ainda tem sua própria linha férrea simulada, na foto à esquerda, que os soldados teriam usado para trazer suprimentos.
  
"Eu queria mostrar às pessoas que a guerra era uma questão de sobrevivência, e não apenas sobre a morte. Quando os soldados não estavam lutando é assim que eles estavam vivendo.
"A experiência mais comum estava morando em uma vala e tentando ser o mais confortável possível enquanto vivia em um buraco no chão", acrescentou.
 
A busca do Sr. Robertshaw para refletir com precisão essas experiências começaram a partir do zero - literalmente.
Ele disse: "É como uma trincheira, uma vez que teria sido em Ypres em 1917 Baseia-se em uma trincheira belga, porque a geologia do terreno é o mesmo que o chão aqui. "
Foi projetado usando um diário de guerra de um soldado do 1/5 Batalhão "Liverpool Regiment", que estavam estacionados perto Railway Wood em Ypres naquele ano.
E enquanto o Sr. Robertshaw e sua equipe foram assistidos por uma escavadeira JCB, em vez de uma pá e picareta na construção da trincheira, tudo o resto - a partir da largura do buraco e os legumes penduradas em refeitório dos oficiais - é tudo autêntico.


Sentinela: Usando o mesmo equipamento que estava disponível para os soldados na Primeira Guerra Mundial, o Sr. Robertshaw mantém-se atento para os inimigos se aproximando
Sentinela: Usando o mesmo equipamento que estava disponível para os soldados na Primeira Guerra Mundial, o Sr. Robertshaw mantém-se atento para os inimigos se aproximando
 
Condições precárias: no cimo de uma pequena caixa de madeira de um lado da trincheira serpenteando, Mr Robertshaw come sua refeição a partir de uma lata
Condições precárias: no cimo de uma pequena caixa de madeira de um lado da trincheira serpenteando, Mr Robertshaw come sua refeição em lata.
 
Andrew Robertshaw na trincheira
Andrew Robertshaw em sua tenda
Tédio: Sr Robertshaw explicou que a vida nas trincheiras não eram todos os tiros e ação - e que muitos leitura o tempo gasto, à direita ou à espera que algo aconteça.
 
Cadeia de suprimentos: A trincheira ainda tem sua própria linha de trem próxima, que os soldados teriam usado para transportar rações e armas
Cadeia de suprimentos: A trincheira ainda tem sua própria linha de trem, que os soldados teriam usado para transportar rações e armas.
 
Alguns dos adereços e material veio do set do filme de Steven Spielberg Cavalo de Guerra - em que o Sr. Robertshaw era um conselheiro histórico.
E o autor insiste que - a trincheira é dominada por uma série de outras casas em Charlwood - não tira do seu significado educativo e histórico.
Ele disse: 'Eu nunca digo esta é a Frente Ocidental. Eu digo às pessoas para vir e experimentá-la como ela é. "O fato de que você está ao lado de uma grande casa branca e easyJet está atrás de você não diminui com a experiência."

De baixo para cima: Mr Robertshaw escolheu para recriar o que uma vala perto de Ypres, na Bélgica como teria sido, como a geologia do solo foi o jogo mais próximo
De baixo para cima: Sr Robertshaw escolheu para recriar o que uma vala perto de Ypres, na Bélgica como teria sido, como a geologia do solo foi o jogo mais próxima.
 
Andrew Robertshaw segurando um livro
Detalhes históricos
Pronto para o ataque: Mr Robertshaw convida sociedades históricas e escolas para experimentar como era a vida - desde as condições de vida para as armas usadas

Pequenos toques: Uma caneca de metal é deixado no lado da trincheira - apenas um dos detalhes historicamente precisas que criam a sensação de autenticidade na trincheira do Sr. Robertshaw
Pequenos toques: Uma caneca de metal é deixado no lado da trincheira - apenas um dos detalhes historicamente precisas que criam a sensação de autenticidade na trincheira do Sr. Robertshaw

Trabalho de amor: O projeto de trincheira em Surrey tem sido um sucesso tão grande que o Sr. Robertshaw, na foto, vai dirigir um projeto semelhante fora Cambridge chamado "Lest We Forget"
Trabalho de amor: O projeto de trincheira em Surrey tem sido um sucesso tão grande que o Sr. Robertshaw, vai dirigir um projeto semelhante fora Cambridge chamado "Lest We Forget".
 
Sr. Robertshaw armado na trincheira
Andrew Robertshaw na trincheira
Envolva: Sr. Robertshaw empurra o carrinho de abastecimento ao longo da pista que as linhas de um lado do campo onde o Surrey trincheira foi construído
Envolva: Sr. Robertshaw empurra o carrinho de abastecimento ao longo da pista que as linhas de um lado do campo onde o Surrey trincheira foi construído.



Por Stephanie Linning Para MailOnline
14 de agosto de 2014

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