sábado, 9 de abril de 2016

Coronel Médico Dr. João Muniz Barreto de Aragão - Patrono do Serviço de Veterinária do Exército Brasileiro






Nascido a 17 de junho de 1874, na província baiana de Santo Amaro, filho de Maria Tereza Muniz de Aragão, Baronesa de Mataripe, e de Antônio Muniz Barreto de Aragão, Barão de Mataripe, João Muniz Barreto de Aragão foi Médico, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia.

Em 1897 iniciou suas atividades profissionais pelo interior daquele Estado. Em 7 de setembro de 1900 foi nomeado Médico Adjunto do Exército. Em 1901 prestou concurso de admissão ao Corpo de Saúde, sendo aprovado em segundo lugar. Em 19 de abril de 1901 foi nomeado 1º Tenente Médico do Exército. Em 1904 realizou seu grande sonho: foi designado para o Laboratório Militar de Bacteriologia. Lá ocupou, dentre outras, a função de Diretor e onde foram iniciadas as pesquisas científicas voltadas para Veterinária Militar no Brasil. 

Em seus 21 anos de vida castrense, destacou-se por seus inúmeros trabalhos de pesquisa e por haver integrado voluntariamente as equipes médicas que operaram em Canudos, prestando serviços nos hospitais de sangue até o desfecho do conflito. 
 
De 1904 a 1907, as atividades em Patologia foram significativas, no sentido de controlar as doenças dos rebanhos nacionais, então de baixa qualidade zootécnica e sanitária, que obrigava a importação de produtos de origem animal para o consumo da população. Em 1906, candidatou-se a Academia Nacional de Medicina, sendo eleito membro titular da Seção de Cirurgia.

Consagrado os seus estudos, mediante aprovação do Conselho Superior de Saúde do Exército, e, posteriormente, publicado na Ordem do Dia nº 7, de 05 de fevereiro de 1907, a memória original intitulada "Contribuição ao Estudo do Mormo no Homem". Neste ano, ainda, recebeu a missão da Academia Nacional de Medicina para estudar a Febre Aftosa, que grassava na região de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro.

O esforço para a fundação do Centro de Ensino Veterinário, não abrandava a sua ação, mas faltavam professores com conhecimento em Biologia e Patologia Animal. Não havia por isso, meios para controlar os problemas zoossanitários nos plantéis do Exército, muito menos o do âmbito civil.

Nesse período, o General Dr. Israel da Rocha, Diretor de Saúde do Exército foi designado para contratar profissionais europeus, propiciando auxílio a Muniz de Aragão para fundar o ensino da Medicina Veterinária no Brasil. Foram indicados pelo Instituo Pasteur, o Tenente-Coronel Antoine Dupuy e o Capitão Paul Ferret, que juntamente com Muniz de Aragão encontraram o Mormo dizimando cerca de 25% dos eqüídeos da tropa militar. O ataque sistemático às doenças infecciosas e parasitárias dos semoventes da tropa se prolongou por mais 12 anos.

Em 1909, numa sessão da Academia de Medicina, o Professor Lima de Castro fez um comentário acerca do que escreveu Muniz de Aragão em um trabalho sobre Mormo, dizendo que: "...esta é uma questão magna. Questão capital, de toda transcendência, talvez das mais importantes a agitar-se entre nós. E por todos os motivos: sob o ponto de vista médico e humanitário, científico e patriótico, econômico e social. Grande parte do futuro do Brasil vai nela". Nesse trabalho, recordava que, Muniz de Aragão havia verificado dois casos de Mormo em soldados, concluindo acreditar que muitos supostos casos de tuberculose nos soldados não passa de verdadeiro mormo pulmonar.

Seus estudos e orientações levaram ao diagnóstico de mormo na tropa e o governo ouviu a ciência, determinando que os cavalos doentes fossem sacrificados e os suspeitos separados. Cerca de 30 anos depois não havia mais casos da doença no plantel eqüino do Exército.

Em 1910, o Ministério da Agricultura pediu auxílio ao Ministério da Guerra no sentido de organizar um serviço médico-veterinário naquele Ministério, para solucionar inúmeros problemas sanitários e econômicos da produção animal. Muniz de Aragão permaneceu cedido ao Ministério da Agricultura até dezembro de 1911, quando o Ministro da Guerra reclamou de volta os seus serviços no Exército.

Em 1911 com o retorno de Dupuy e Ferret, Muniz de Aragão perde a colaboração dos Veterinários para a fundação do centro de ensino de Medicina Veterinária, sua persistência é digna e exemplar.

Em junho de 1912, juntamente com Emílio Gomes, Augusto de Freitas, Teófilo Torres, Júlio de Novais, Henrique Autran e Hernani Pinto, foram discutidas as condições sanitárias dos estábulos do Rio de Janeiro, aprovando na Academia Nacional de Medicina, as seguintes conclusões recomendadas ao governo:

- Proibição dos estábulos;
- Exame sistemático do gado e criação do hospital veterinário;
- Tuberculinização sistemática do gado;
- Vigilância médica do pessoal que trata do gado;
- Fiscalização do comércio de leite com pessoal, veterinário e médico suficiente e de provada competência;
- Organização de laboratório de pesquisa completa para análises de leite e produtos lacticínios;
- Prêmio para estábulos e leiterias modelos;
- Leite filtrado, pasteurizado e homogeneizado.

Nova missão francesa vem ao Brasil, continua as atividades em polícia sanitária animal, dentro do Exército, ficando aqui até 1914, retornando a França por conta da guerra. Mesmo com isso, Muniz de Aragão não desistiu do firme propósito de fundar o ensino dda Medicina Veterinária no Brasil e, por isso, com a colaboração do Capitão Médico Antônio Alves Cerqueira, Augusto Tito da Fonseca e outros, que juntaram a ele para levar adiante a sua idéia, manteve em funcionamento o Curso Prático de Veterinária do Exército. Em 17 de julho de 1914, foi instalada a Escola Veterinária do Exército no antigo quartel em São Cristóvão.

Em dezembro de 1917, Muniz de Aragão teve realizado mais um de seus sonhos, como Diretor da Escola Veterinária do Exército, acompanhou a formatura da primeira turma, e em seu discurso destacou a importância do ensino da veterinária, afirmando: "...É, pois do ensino da medicina animal que havemos de estabelecer coisa útil em prol da pecuária em nosso país e, por tanto, em prol dos animais da tropa.

Sem o estudo da veterinária, sem os conhecimentos para a seleção inteligentemente dirigida, sem a noção da maneira pela qual se faz a transmissão das moléstias, nada poderemos fazer de proveitoso ..."

De setembro de 1918 a 1920, participou pela última vez da comissão de profilaxia das enfermidades dos animais do Exército. Em julho de 1919 foi promovido, por merecimento, a Tenente Coronel e, no mesmo ato, nomeado diretor do Hospital Militar de Juiz de Fora. Mas, no dia 15, o ato foi retificado pelo governo com o intuito de conservá-lo à frente de sua obra, e nomeado Diretor da Escola de Veterinária do Exército.

No ano de 1920, se dedicou a construção da nova sede da Escola de Veterinária do Exército, na Avenida Bartolomeu Gusmão, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. No discurso de inauguração, Muniz de Aragão, profundamente emocionado teve uma síncope cardíaca, mas foi socorrido a tempo e salvo. Apesar disso, fez questão que o discurso fosse lido por outrem, do qual transcrevemos um trecho, onde destacava o papel e a importância do médico veterinário para o país: "... em um país como o nosso, novo, vivendo de esperanças, e que entre estas vê apontado, como elemento fundamental para a sua grandeza econômica, para sua prosperidade, o vasto campo da criação animal, não se pode deixar de lado o estudo da Veterinária.

Três são os elementos principais para o seu desenvolvimento prático: bons profissionais, boa política sanitária dos animais e bons campos de culturas forrageiras.

O Veterinário é hoje um colaborador inteligente do desenvolvimento econômico de um país, e ao mesmo tempo, da sua organização militar.

É o guarda dos nossos rebanhos, é o conselheiro, o guia na aplicação dos métodos modernos da criação animal, fazendo adaptarem os científicos que ensinam, e retirar, em menor lapso de tempo, todo o proveito que essa indústria deve e pode prodigalizar.

... o veterinário de hoje não é mais o ferrador, "le marechal ferranto albeytars", embora com as honras e privilégios nobiliárquicos; a Veterinária moderna, que teve como precursor Claude Bourgelat e como estimuladores, entre outros, os espíritos investigadores de Pasteur, Chauveu, Nocard, Kock, etc. É uma ciência definida, difícil, e que caminha em rápido progresso, desvendando segredos mais transcendentais ..."

Em setembro de 1920 foi nomeado como primeiro Inspetor do Serviço Veterinário do Exército, deixando a direção da Escola. Ainda nesse ano, chegou ao Brasil a terceira missão francesa que consolidou a obra de Muniz de Aragão.

Foi nomeado para a comissão encarregada de fixar a composição das rações das tropas em tempo de paz, mas em janeiro de 1922 foi acometido por uma síncope cardíaca, desta feita fatal, aos 48 anos de idade.

O Presidente Getúlio Vargas, em dezembro de 1940, baixou Decreto-Lei de nº 2.893, determinando o Coronel Médico Dr. João Muniz Barreto de Aragão, Patrono do Serviço de Veterinária do Exército, como reconhecimento aos seus esforços para a fundação e desenvolvimento daquele Serviço.

Fonte: http://www.vetcardio.50webs.com

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